Parque Estadual de Vila Velha – as pedras esculpidas pelo tempo

Tem lugares que a gente tem vontade de conhecer e mesmo assim fica se enrolando e não vai. Isso acontecia com o Parque Estadual de Vila Velha, um lugar que visitei quando criança e que sempre dizia que queria voltar. Apesar de ficar a menos de 100 km de casa sempre tinha uma desculpa ou algum imprevisto para não ir. Mas num feriado, que não me lembro qual, saímos cedinho de casa e torcemos pra não chover. Deu certo!

Quando o parque foi criado?

Eu não sei quem foi o primeiro maluco a enxergar as formas nas pedras, mas lá em 1953 alguém já achou isso legal e resolveu criar um parque. Ou o tempo e o vento são ótimos escultores, ou quem colocou nome nos arenitos fez um trabalho de sugestão muito bem feito, porque a gente consegue enxergar mesmo o que eles dizem que tem ali. Em 1966 essas obras de arte da natureza foram reconhecidas e tombadas (não literalmente) pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Paraná. São mais de três mil hectares de Parque Estadual de Vila Velha pra você conhecer e quem sabe não encontra por lá algum lobo-guará ou uma noivinha-do-rabo-preto. Tô falando que tem gente muito doida nesse mundo? Quem é que coloca o nome de noivinha-do-rabo-preto em um passarinho? Além dos Arenitos, que são a atração principal do parque, você também pode conhecer furnas e a lagoa dourada. Lá pra frente eu explico melhor o que é cada uma delas.  

Como chegar ao Parque Estadual de Vila Velha?

O parque fica na cidade de Ponta Grossa, a aproximadamente 100 km de Curitiba. A melhor opção para chegar até lá é de carro, já que o transporte de ônibus não é muito prático e é um pouco caro. Se você está sem carro, considere alugar por um dia. Fizemos uma pesquisa na Rentcars e existem opções a partir de R$ 109,00. De Curitiba até o Parque Estadual de Vila Velha são 93 km e um pedágio, na altura de Witmarsum. O pedágio custa R$ 12,40. Outra opção é utilizar o ônibus da empresa Princesa dos Campos. O valor da passagem custa em média R$ 42,00, apenas para um trecho. Se você estiver com pelo menos mais uma pessoa o aluguel do carro já sai bem mais em conta, além de ter a flexibilidade de poder ir e voltar a hora que quiser.

Leia tembém:
– Cataratas do Iguaçú
– Grand Canyon de helicóptero
– Visita a Arena da Baixada

Quanto custa a entrada e qual o horário de funcionamento?

O parque abre de quarta a segunda, ficando fechado às terças-feiras para manutenção. Os melhores dias para visitação são sextas, sábados e domingos, já que é garantido que você só pagará o valor da entrada – que custa R$ 18,00 – e a taxa do guia – que custa R$ 10,00.  Se você for visitar apenas os Arenitos a entrada fica R$ 8,00 e se for visitar apenas furnas e a lagoa dourada a entrada custa R$ 10,00. Caso você visite o parque às segundas, quartas ou quintas terá que contar um pouco com a sorte. Como a visitação nesses dias é restrita o guia do parque fica de sobreaviso lá na entrada esperando turistas. Caso você esteja sozinho e queira visitar o parque, terá que pagar a diária do guia, que custa R$ 180,00, mais a entrada de R$ 18,00. Se estiver em grupo a diária pode ser dividida entre todos. Só vai sair mais barato que o fim de semana se você estiver em um grupo com mais de 18 pessoas, o que pode não acontecer.

O horário de funcionamento é das 08h30 às 15h30. É aconselhável chegar cedo pois o número de visitantes é limitado a 800 por dia. Para as visitas a furnas e lagoa dourada um ônibus te levará até o local, portanto os grupos são limitados. Os horários de saída do ônibus são às  9h30, 11h, 13h30, 15h30. Esse ônibus funciona apenas sextas, sábados e domingos. Nas segundas, quartas e quintas caso queira visitar furnas e lagoa dourada terá que ir com o carro do guia ou com seu próprio carro.

A visita ao Parque Estadual de Vila Velha

Antes de visitar Vila Velha você deverá assistir a um pequeno vídeo sobre o parque e que serve também para tentar conscientizar espíritos de porco que picham arenitos, recolhem flores ou destroem a natureza e o parque de alguma outra forma. Não seja um turista sem noção e respeite as regras do parque.

Depois disso você poderá escolher o que quer visitar primeiro – arenitos ou furnas e lagoa dourada.

Arenitos

Nossa primeira parada foi para visitar os arenitos. Essas formações rochosas foram esculpidas pela ação da chuva e tem “idade” estimada de 300 milhões de anos. É muito tempo né? Atualmente todo o trajeto é feito com guia, já que alguns arenitos foram danificados e pichados por pessoas sem a mínima noção de respeito.  

Parque estadual de vila velha - começo da trilha

São duas trilhas de alguns poucos quilômetros, passando pelas figuras mais conhecidas do parque como a garrafa, o casal indígena, a bota e a taça. A trilha mais completa tem 2,7 km e a mais curtinha tem 1 km. Se você usar um pouco a imaginação pode ainda descobrir outras figuras que o guia não vai te mostrar. Além disso há fendas impressionantes em rochas gigantescas e também árvores que tiveram que desviar seu curso por causa das pedras.

O passeio não é cansativo e não deve ser feito correndo para que você possa apreciar toda a beleza do lugar. Nós fizemos a trilha bem tranquilos e quando chegamos ao final todos já estavam nos esperando. Com a obrigatoriedade do guia desde 2017 acredito que ninguém possa mais ficar sozinho na trilha, mas uma vantagem disso é que você terá o guia a disposição se tiver alguma pergunta sobre as formações rochosas.

Dos arenitos do Parque Estadual de Vila Velha, o mais conhecido é a taça, que tem até um deck de observação no parque. A importância de Vila Velha para a cidade de Ponta Grossa é tanta que no brasão da cidade existem os desenhos dos arenitos, mas quem ganha destaque ali é o camelo e não a taça.

Parque estadual de vila velha - bota
Alguém perdeu a bota por aqui.

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Furnas

Depois de visitar os arenitos de Vila Velha você terá que voltar até a do parque e pegar outro ônibus que nos levaria a Furnas e Lagoa Dourada. O contrário também vale, você pode visitar furnas e a lagos primeiro e depois visitar os arenitos.

Fomos primeiro conhecer as furnas. Esse termo é utilizado para descrever escorregamentos da encosta e também são conhecidos como poços de desabamento. Elas são velhas senhoras já que tem idade estimada de 400 milhões de anos. O lugar é impressionante.

A maior decepção da galera ao chegar em furnas é ver que o elevador está desativado (se prepare psicologicamente). Na minha primeira visita lembro que ainda funcionava, mas é uma pena não lembrar direito de como era lá embaixo. Só lembro que eu achei o máximo descer aquele paredão gigante de pedras. O elevador foi desativado para preservar a fauna e a flora presente nas furnas e também para segurança dos visitantes já que é um elevador antigo comprado da Europa.

Existem doze furnas no parque, e três delas são abertas para visitação. A furna 1 é a mais famosa. Ela tem aproximadamente 100 metros de profundidade sendo que 50 destes estão embaixo d’água e o diâmetro é de 80 metros. É nela que fica o antigo elevador e da plataforma é possível olhar literalmente para o fundo do poço, onde ficava a outra plataforma de observação.  

A furna 2 também tem aproximadamente 100 metros de profundidade mas o diâmetro na parte de cima é maior, são 150 metros. Ela na verdade é a junção de duas furnas, que ocorreu devido a erosão dos arenitos. Nesta furna você não consegue ver o fundo já que não tem nenhum mirante para observação. Você consegue enxergar apenas as paredes e alguns andorinhões-da-coleira-falha que têm seus ninhos por ali.

Lagoa Dourada

O último lugar visitado foi a lagoa dourada. Nós não tivemos muita sorte pois havia chovido bastante nos dias anteriores e a água estava um pouco turva. Quando fica dias sem chover a água é bem cristalina, dando pra ver perfeitamente o fundo, que pode chegar a 5 metros de profundidade.

A Lagoa Dourada pode não parecer, mas também é uma furna em estágio avançado. As paredes laterais ruíram ao longo de milhares de anos e com isso a água foi ficando cada vez mais próxima da superfície. Infelizmente as fotos não fazem jus a cor da água, que quando fomos estava mais para turquesa. Se tiver oportunidade tente ir até a lagoa durante o último horário, às 15h30. Dizem que é no pôr-do-sol que ela ganha tons de dourado, o que deve ser maravilhosamente lindo.

Parque estadual de vila velha Ponta Grossa

A lenda do Parque Estadual de Vila Velha

Já pensou estar andando por entre as pedras de Vila Velha e de repente ouvir “Xê pocê o quê”? Eu ia ficar sem entender nada e como sou medrosa provavelmente sairia correndo. A lenda de Vila Velha diz que os mais sensíveis a natureza e ao amor escutam isso quando andam por ali. Essa frase foi a última pronunciada pela índia Aracê e significa dormirei contigo. Eita!! Tudo isso está ligado a uma história de tesouros, enganação e um índio que não conseguiu resistir aos encantos femininos. Diz a lenda que Vila Velha era chamada de Itacueretaba, “cidade extinta de pedras”.

Essa cidade era habitada apenas por homens que escondiam um precioso tesouro e viviam cheios de regalias. Os homens que moravam nessa tribo não podiam ter contato com mulheres pois elas “espalhariam o segredo aos quatro ventos”. Vamos fazer uma pausa na lenda aqui e dizer que homens são tão fofoqueiros quanto as mulheres. Voltando… Sabendo disso, tribos rivais escolheram uma índia chamada Aracê Poranga para seduzir e embebedar o guardião do segredo, o índio Dhui. Ela oferecia a ele uma taça de veneno com licor de butiás. Se você hoje nem precisaria de veneno. Esse licor sozinho já é capaz de derrubar qualquer um. A índia mais bonita escolhida para enganar o índio mais mulherengo. Claro que isso não ia dar certo né?  Rolou uma paixão mútua e os dois até esqueceram do veneno e do tesouro. Quando Tupã descobriu a traição do seu guerreiro ficou furioso e provocou um terremoto que transformou a região. Abaretama, que era a tribo de Dhui, foi transformada em pedra, rasgos se abriram no chão formando as dunas e o tesouro foi derretido se transformando na Lagoa Dourada. Aracê e Dhui também foram transformados em pedra e no meio deles ficou a taça como símbolo da traição.

Quando for até o Parque Estadual de Vila Velha fique de olhos e ouvidos abertos pra identificar o índio e a índia e para escutar “Xê pocê o quê”. Ui, tô fora!!!

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Parque estadual de Vila Velha tem rochas esculpidas pelo tempo que formam figuras curiosas como índios, taça e até uma garrafa.

Um abraço e muitas viagens!!


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