Pisac no Vale Sagrado – Como ir por conta própria
Depois de visitar Machu Picchu e voltar para Cusco de trem, uma experiência um tanto demorada, nós ficamos no hotel Katari – Qorikancha e fomos muito bem tratados. O hotel nos deu a opção de tomar o café da manhã no quarto ou em um local com vista para a cidade de Cusco. Nós escolhemos a segunda opção e fomos levados até o restaurante Ascai 360 para aproveitar o desjejum com a Plaza de Armas e toda a cidade de Cusco na nossa frente e a Igreja San Cristobal logo atrás de nós.
O hotel leva você até lá e a volta é por sua conta, independente se você quer voltar para o seu quarto ou já sair bater perna pela cidade. Como o nosso dia seria dedicado a cidade de Pisac, nós voltamos para o hotel a pé mesmo só para buscar nossas mochilas e seguir rumo a próxima aventura: chegar a Pisac sem uma agência de turismo.
Como ir de Cusco a Pisac sem guia?
Nossa ideia era ir andando mesmo até a rua Puputi, de onde saem as vans que levam você de Cusco a Pisca, mas começou a cair uma chuva forte bem na hora que saímos do hotel e tivemos que pegar um táxi. De Qorikancha até lá foram 7 soles (set/2024).
Nessa rua existem várias empresas que fazem o trajeto de Cusco a Pisac. As vans são utilizadas por locais e esperam a lotação para poder sair. O trajeto até Pisac custou 5 soles (set/2024) por pessoa e a viajar com motoristas peruanos sempre é uma aventura, já que a minha noção de ultrapassagem segura é bem diferente da deles. O negócio é confiar e aproveitar a paisagem, que por sinal é lindíssima. O trajeto até Pisac dura aproximadamente 40 minutos.
Ponto de partida: Mercado Municipal de Pisac
A van te deixa bem na entrada da cidade e nós resolvemos começar o nosso passeio pelo Mercado Municipal, só por curiosidade mesmo. Como a cidade é pequena levamos poucos minutos para chegar e menos ainda para conhecer o mercado, que é bem parecido com o que a gente viu em Ollantaytambo. Tem basicamente, carne, frutas e verduras. Nada de novo, mas eu sempre gosto de observar os locais e as roupas coloridas das peruanas.
Ficamos pouco tempo por ali e já seguimos para o parque arqueológico. A gente queria subir de tuk tuk, mas disseram que o motor não aguentava subir com 3 pessoas e tivemos que pegar um taxi. Foram 35 soles (set/2024) até a entrada alta do parque. Existe uma entrada pela parte baixa da cidade, mas achamos melhor subir de carro e desce a pé.
Nós não contratamos guia para andar pelas ruínas de Pisac, o que é ruim por um lado, porque você não sabe direito o que eram aquelas construções, mas por outro lado nós gostamos de ver as coisas no nosso tempo e as experiências anteriores com guia foram num ritmo acelerado que a gente não gostou.
Nosso roteiro pelo parque arqueológico de Pisac
Qantus Raqay e as Terraços
Nós começamos o parque pela parte de cima, por um setor conhecido como Qantus Raqay, uma área urbana bem na entrada de Pisac que também era usada para armazenamento agrícola e de onde se tem uma bela visão dos terraços. Diz a internet que Qantus Raqay pode ser traduzida como Fazenda de Porquinhos da Índia, mas eu não consegui confirmar essa informação.

Dali também já é possível observar os enormes terraços construídos ao longo de toda a montanha tanto para o cultivo agrícola como para evitar erosões. O legal de conhecer Pisac sem pressa foi justamente poder explorar muito bem essas estruturas incas e perceber que elas estão espalhadas pela montanha toda. Como nós conhecemos a parte alta e voltamos a pé para o centro da cidade ainda passamos em vários outros terraços além desses enormes que podem ser vistos na entrada alta.

Fontes Cerimoniais
Ali por cima também ficam as Fontes Cerimoniais, canais de água que até hoje funcionam. Algumas lhamas pastavam muito calmamente por ali e nem se importaram com a nossa presença. Caso precise de banheiro, aproveite por aqui, porque é o único local onde você vai encontrar. Foi na saída do banheiro que a gente viu uma mãe e uma criança quéchua descendo da montanha, a mãe carregando numa trouxa de tecido uma lhama bebê. Pode ser algo bem trivial na rotina deles, mas para mim foi uma imagem bem impressionante, que eu registrei apenas na memória.

Tantanamarka – cemitério na montanha
Nessa mesma montanha, de onde desceu a família fica o cemitério Inca em Pisac conhecido com Tantanamarka. Como estávamos sem guia, observamos aquilo com bastante curiosidade para entender se os vários buracos eram intervenção humana ou talvez o abrigo de algum animal. Descobrimos depois ser esse cemitério bem intrigante. Os mortos eram colocados em tumbas escavadas na montanha. Com a chegada dos espanhóis muitas dessas tumbas foram saqueadas e os pertences levados. Os Incas acreditavam na reencarnação, por isso enterravam seus mortos com objetos pessoais.

Kallaqhasa – Setor Sagrado ou residencial?
Dali seguimos para a parte mais alta de Pisac chamado de Kallaqhasa, o setor sagrado. Dizem que ali eram feitas cerimonias religiosas e o local servia também de residência. Realmente andando por lá encontramos uma construção com paredes arredondadas, que por comparação com outros locais Incas chutamos que seja o Templo do Sol. Também havia outras construções, não tão milimetricamente encaixadas, que precisavam do uso de argamassa. No meu raso conhecimento da cultura Inca, essas seriam casas para pessoas normais, porém fico um pouco confusa se eles realmente misturavam a área residencial com a religiosa. Tomando Ollantaytambo como comparação penso que talvez fossem casas de apoio de uma fortaleza, para abrigar aqueles que protegiam a cidade, até por ser um lugar bem alto.

Se alguém souber que eu estou falando uma grande besteira, por favor me corrija aqui nos comentários.
Essa área de Kallaqhasa tem vários caminhos e é difícil conseguir passar por todos os lugares sem ter muito tempo e um mapa. Escolhemos seguir pelo caminho que indicava o Intihuanata e acabamos perdendo algumas construções. Quem está com tour guiado coletivo provavelmente vai conhecer no máximo até essa parte e terá que voltar para a van, mas na minha opinião o que nós vimos a partir desse ponto foi muito bem mais interessante.
Um túnel para a parte baixa de Pisac
Seguindo pela trilha escolhida nós continuamos andando no topo da montanha, passando por mirantes, penhascos e até um túnel esculpido na pedra de aproximadamente 3 metros de comprimento, que liga a parte de Kallaqhasa a Llaqta Quarina,


Vale destacar que a nossa intenção era descer a pé até a cidade de Pisac e não voltar pelo mesmo caminho por onde chegamos. Se a sua intenção não for essa, talvez o caminho seja um pouco longo para você. Também há uma opção que passa na parte de cima dos terraços. São muitos caminhos disponíveis e a escolha de cada um depende da sua disposição para andar e do seu tempo.

O primeiro setor depois da passagem do túnel é conhecido como Ñusta Tiana, que na minha tradução livre significa o trono da princesa, o que parece fazer sentido pois ali havia realmente um trono esculpido em pedra. Essa área fica separada um pouco acima de Intihuatana, tendo uma boa perspectiva para fotos.
A parte mais importante de Pisac, na minha opinião, é o setor onde fica Intihuatana, que é conhecido como o relógio de sol, mas que na tradução fica mais como um local para prender o sol. Eles usavam essa enorme pedra para observações astronômicas, já que sabiam exatamente onde o sol batia em vários momentos do ano. Esse grande monumento é cercado de construções Incas que provavelmente tinham alguma destinação nobre, já que por aqui as pedras eram muito bem esculpidas e encaixadas, diferente das construções dos setores anteriores.

Como sempre o conhecimento de hidráulica estava presente e a água ainda corre pelos canais ainda nos dias de hoje.
A partir de Intihuatana você terá dois caminhos a escolher. Se seguir a direita, que não foi o que a gente fez, vai subir um morro e chegar a algumas construções Incas conhecidas como Qori Wayrachina e logo em seguida chegará a Hospitalniyoq e Torreones Q’ente muyurina
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Já se você escolher seguir pela esquerda, começará a descida até a cidade, mas antes vai passar por Pisaqa. Esse local pode ter sido uma área residencial da elite. A estrutura arredondada das casas segue o nível da montanha e dos terraços. Lá nós identificamos uma estrutura bem parecida com as enormes portas que vimos em Machu Picchu e em Ollantaytambo, provavelmente (pelo menos na minha cabeça) era uma das entradas para a cidade.

Depois disso não encontramos mais construções, mas passamos por mais terraços de agricultura e cruzamos pelo caminho com algumas senhoras peruanas andando com seus filhos e seus cachorros. Essa parte de Pisca estava bem vazia. A maioria dos turistas que visitam a cidade com excursões se limita a ficar na parte alta, observar um pouco os terraços e partir para o próximo destino.
Foi exatamente por isso que a gente escolheu conhecer Pisca por conta própria, vindo de Cusco nas vans locais, que já foi uma aventura.
O fim da trilha do parque arqueológico de Pisac, ou início dela, caso você queira subir a montanha e não descer como a gente fez, fica bem próxima ao mercado de artesanato da cidade de da Praça da Constituição. Quando estávamos nessa praça apreciando a vista da montanha, um menino peruano se aproximou com sua lhama bebê. Eles fazem bastante isso por lá, se vestem com roupas bem coloridas e saem com suas lhaminhas tentando ganhar alguns trocados dos turistas que querem tirar foto com eles. O menino devia ter uns 5 anos, no máximo. Eu conversei um pouco com ele e acabei dando um dinheiro, mas na hora não achei certo tirar uma foto e depois me arrependi. Aquela dupla era muito fofa!


Ali ao redor da praça mesmo achamos uma pizzaria aberta às 3 da tarde para o nosso almoço tardio. Nada de mais que sirva como uma boa indicação de restaurante, até porque eu nem lembro exatamente onde era. Depois disso nós entramos em uma loja de pedras/cristais e a minha intenção era sair de lá com uma de cada, mas acabei me comportando e pegando só 3. Se você gosta de cristais, essa loja fica bem de frente para a praça e tem uma grande variedade. Depois me arrependi de não ter gastado um pouquinho mais de tempo nessa loja e não encontrei mais cristais em Cusco.
Já era quase 15h30 da tarde e a gente decidiu que a visita a Pisac já podia acabar, então andamos em direção a ponte da entrada da cidade para achar o local correto para pegar a van de volta para Cusco. O ponto de partida fica bem na Calle Amazonas, bem próximo da ponte. Assim como em Cusco, você precisa esperar um número mínimo de pessoas para que a van possa partir. O valor do trajeto foi o mesmo da vinda, 5 soles (set/2024).

Para fechar esse dia, que foi um dos meus preferidos no Peru, nós saímos caçar algum restaurante para jantar e acabamos escolhendo algo que nem sempre fazemos, um restaurante mais ajeitado e gourmet: Sagrado. O ambiente era lindo e a comida deliciosa, esse eu com certeza indico. Eu pedi um creme de milho com queijo e o Diego pediu um cordeiro, ambos estavam bem gostosos. As bebidas também foram aprovadas, eu pedi um Cuscow Mule e o Diego pediu uma cerveja local, a IntiPunku.



Se você tem mais dicas do que fazer em Pisac eu vou adorar saber, me conta aqui nos comentários. Isso também ajuda quem chegou por aqui para planejar a viagem para o Peru.
Um abraço e muitas viagens!
Bruna


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