Projeto Social na África do Sul – The Shalk

Geralmente eu começo os relatos de uma viagem pela ordem cronológica, ou seja, pelo começo. Mas hoje será um pouco diferente. As histórias da nossa viagem pela África do Sul vão começar pelo penúltimo dia de viagem, pelo dia que foi um dos mais marcantes pra nós e talvez tenha mudado a nossa visão do que é uma boa viagem.

Estávamos no parque Kruger, que por sinal é espetacular, e acordamos bem cedo para voltar a Johanesburgo pois marquei um tour pelo Soweto com um guia local. O tour é maravilhoso, mas darei mais detalhes em outro post. Além de conhecer o bairro o NK, nosso guia, nos levaria até um projeto social que ele criou na comunidade de Kliptown, um dos lugares mais pobres de Soweto. Isso foi decisivo para escolher o NK como guia, apesar de não ter muitas referências sobre ele. A viagem que fizemos para a Namíbia foi sensacional, mas queria ter interagido mais com os locais. Essa seria nossa chance.

O projeto

O projeto social chama-se The Shalk – Shaping Hope and Leadership in Kliptown, algo como The Shalk – moldando esperança e liderança em Kliptown. Eles atendem aproximadamente 60 crianças e adolescentes no contra-turno escolar. São atividades de reforço, brincadeiras, futebol e o que mais for possível realizar naquele pequeno espaço. Quem nos recebeu lá foi a Namhla e nos levou para uma pequena volta pelas casas de Kliptown.

Eu tinha um pouco de receio desse tipo de “turismo” já que a gente tava ali “bisbilhotando” a vida das pessoas. Mas na verdade não foi nada invasivo. Andamos por uma rua principal e por algumas vielas. As casas, chamadas de tin houses são de latão e muito pequenas. Há alguns banheiros químicos na rua principal e nada de saneamento básico. Também não há energia elétrica, mas os moradores fizeram alguns “gatos” para se virar como podem. Alguns trabalham e outros dependem do bom coração de vizinhos ou da horta comunitária para não morrer de fome. É triste. Tanto que nem tive coragem de usar a câmera fotográfica por ali. A única coisa que fotografei, pedindo permissão e mesmo assim ficando com um pouco de vergonha, foi o ateliê de um homem que transforma pneus em chinelos. O ser humano se vira como pode.

Algo que nos chamou bastante atenção foi a sujeira por todo canto. A Namhla nos explicou que o caminhão de lixo da prefeitura passava apenas 2 vezes por semana, e ainda sim apenas em lugares determinados, pois não conseguia chegar em todos os locais. Eu sempre julguei, preconceituosamente, os lugares mais pobres pela falta de higiene, mas andando por ali vi que isso não é efetivamente uma escolha, não há muita opção.

A alegria das crianças

Depois de andar um pouco pelas casas, e sob os olhares curiosos dos moradores, voltamos ao espaço do projeto. É um espaço cercado onde fica o contêiner de apoio, ao lado da horta comunitária. Estávamos dentro do contêiner, conversando com a Nahmla quando as crianças começaram a se aproximar. Tentamos conversar com elas, mas pareciam tímidas. A timidez durou até a hora em que a Nahmla nos disse que eles queriam nos abraçar mas estavam com vergonha de perguntar se podiam. Foi só a gente dar o primeiro abraço para chover de criança por ali. Um gesto tão simples quanto esse nos abriu milhares de sorrisos. Depois disso eles cantaram pra gente, pediram pra que fizéssemos vídeos e adoraram assistir na tela do celular. Foi uma verdadeira festa. Uma das meninas agarrou na mão do Diego e não soltava mais.

Aos poucos eles foram se soltando e queriam aproveitar ainda mais a nossa presença. Ficaram um bom tempo fazendo carinho na nossa cabeça e elogiando nossos cabelos que eram macios. Eu e o Diego poderíamos ficar horas ali, curtindo aquela companhia agradável. Infelizmente era nosso último dia e tivemos que nos despedir. A fila do abraço final parecia não diminuir. Alguns entraram na fila 2 ou 3 vezes, pra receber de novo um simples abraço.

Saímos de lá alegres, por saber que colocamos o sorriso no rosto dessas crianças, pelo menos por algum tempo. Tenho certeza que essa visita mexeu muito mais com a gente do que com elas e acabamos descobrindo que uma viagem completa precisa dessa interação com os locais.

Aos nossos amigos NK e Nahmla, queremos que saibam que admiramos muito o trabalho que vocês fazem e esperamos um dia conseguir ajudá-los de alguma forma, nem que seja apenas doando nosso tempo e conhecimento.

English Version

Social Project in South Africa – The Shalk

Generally I start to tell the history of a trip according to the chronological facts. Today it will be a little different. The tales about our trip to South Africa will start from the day before the last day. The day that was the most important for us and maybe that has changed the way we enjoy a trip.

We were at Kruger National Park, that is spectacular, and woke up very early because we needed to drive back Johannesburg to visit Soweto. Soweto is amazing, but I will tell you more details about it in another post. Besides knowing the township, our tour guide NK would show us a project he raised in Kliptown, some of the poorest places in Johannesburg. That was the main point we chose him as a tour guide, even if we didn´t know a lot about his work. When we traveled to Namibia we missed the contact with local people. Visiting Soweto with NK was our chance to change it.

The project

NK’s project is called The Shalk – Shaping Hope and Leadership in Kliptown. They help at least 60 children and teenagers after school activities. The children can play, study and practice sports there. Nahmla was the person that welcome us and then we walked through the community. I was afraid people who lives there could find awkward/weird some tourists walking around their homes, but they didn´t. Their houses are really tiny and have no basic sanitition or electricity. People live with less and some of them need the neighbors help to survive. It´s really sad. I couldn´t take photos there because I was embarrassed.

The narrow streets are dirty and we can´t blame them, because they have other worries. They need to get along with hungry almost everyday so they aren´t worried with the trash. Nahmla also told us the garbage truck collect the trash only 2 days a week, so it´s hard to keep the place straight.

Children´s happiness

After walking around behind the curious sight of the locals we got back to The Shalk. It´s a little place right in front of the police station. We were inside the container talking to Nahmla when the kids began to approach. We tried to talk to then but thry were a little shy. They shyness ended when Nahmla told us they wanted to give us a hug but they were afraid to ask us. After the first hug a lot of kids approached us. A simple gesture like that resulted in many faces smiling. They sang and danced to us and loved the videos we shot on our cell phones. It was like a party. One of the girls hold Diego’s hand all the time.

We enjoyed it together. They loved our hairs, and said it was soft. Diego and I coul stay there for ours, enjoying the great company. Unfortunately it was our last day in South Africa and We had to say goodbye. The last hug was funny. Some of them entered many times in line to be hugged again.

We left the place really happy. We are sure this visit were more changing for us than it was for them. We liked it very much and found out this is the kind of trip we like, the interaction with people.

To our friends NK and Nahmla, we want you to know that we admire the work you do and we hope one day we can help you somehow. Even if we “only” give our time and knowing. Thank you!


Saiba mais sobre o projeto / Discover the project

Contato Nkuli Tours – Soweto Guide
www.facebook.com/nkulitour
nshelembe@gmail.com
+27 (82) 4842711

A única foto que tive coragem de tirar em Kliptown, pedindo permissão. Thom é um cara que faz chinelos de pneus velhos.
A única foto que tive coragem de tirar em Kliptown, pedindo permissão. Thom é um cara que faz chinelos de pneus velhos.
As primeiras a se aproximarem.
As primeiras a se aproximarem.
Adoram posar pra uma foto.
Adoram posar pra uma foto.
E depois ver as fotos e vídeos que posaram.
E depois ver as fotos e vídeos que posaram.
As primeiras "apresentações", ainda meio tímidas.
As primeiras “apresentações”, ainda meio tímidas.
Mais poses
Mais poses
E sorrisos.
E sorrisos.
Esse menino de toca era muito fofo.
Esse menino de toca era muito fofo.
Diego e sua grude. Ela não soltava a mão dele por nada. A de trás era uma espoleta.
Diego e sua grude. Ela não soltava a mão dele por nada. A de trás era uma espoleta.
Reparem na mão na cabeça do Diego. Eles adoraram mexer nos nossos cabelos.
Reparem na mão na cabeça do Diego. Eles adoraram mexer nos nossos cabelos.
Crianças mexendo no meu cabelo.
Uma sessão no cabeleireiro.
Era domingo, nem todas as crianças estavam por ali. Mas ainda sim juntou uma galerinha boa.
Era domingo, nem todas as crianças estavam por ali. Mas ainda sim juntou uma galerinha boa.
Nossos sorrisos eram bem maiores que os deles.
Nossos sorrisos eram bem maiores que os deles.

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