O dia que quebramos uma regra do Kruger National Park

Eu, Bruna, sou uma pessoa que alguns podem chamar de careta. Se há regras eu, provavelmente, irei segui-las. Mas no Kruger eu desobedeci uma regra, e foi uma das piores sensações que eu já senti na vida. Medo, muito medo. Vamos explicar o que aconteceu.

Era manhã no Kruger quando a gente tinha acabado de encontrar um bando de leões dormindo (leia aqui). A gente parou pra observar alguns macaquinhos e de repente um carro branco passou por nós a toda velocidade. Eu até fiquei bem brava por que os macacos fugiram da foto, mas tudo bem. Alguns metros mais a frente, numa rua secundária, vimos 4 pessoas fora do carro. Sair do carro é extremamente proibido no Kruger, pelo motivo óbvio: você pode ser, literalmente, comido por um animal selvagem.

Quando paramos para ver o que estava acontecendo, uma das pessoas veio em nossa direção. Era uma velhinha, que pelos meus cálculos devia ter uns 80 anos. Ela e uma outra senhorinha estavam dirigindo, sozinhas, o carro que nos ultrapassou correndo. O carro delas havia ficado preso em um buraco e quando ela viu o nosso carro (uma caminhonete) veio pedir ajuda. Por mais que eu dissesse pra ela voltar para o carro ela não me escutava. Aquilo foi me deixando nervosa. Não havia jeito dela sair dali, mesmo eu dizendo que nós não tínhamos os equipamentos necessários para ajudá-las. Ela então pediu que fôssemos até lá para ver se era possível fazer alguma coisa. Gente, é até pecado deixar uma senhora daquela idade pra fora do carro, pedindo ajuda. Descemos da caminhonete e fomos ver a situação. Eu acho que meu coração nunca bateu tão forte como naquele dia. O mato era alto e qualquer animal podia estar escondido por ali. A gente tinha acabado de ver leões.

A situação não era das mais fáceis de se resolver. O carro tinha ficado travado em uma valeta, com uma das rodas quase no ar. Havia uma casal de franceses por ali, também tentando ajudar, mas ninguém tinha cordas para o reboque. E mesmo que tivesse, a gente não deveria nem estar fora do carro. Quando vi que a situação era pior do que eu imaginava, disse que estava desconfortável em ali fora, que era perigoso, e que o melhor a fazer era tentar ligar para a administração do parque e esperar ajuda de gente que soubesse como lidar com aquilo. Nós voltamos para o carro e dirigimos até mais perto das senhorinhas, pra dar pelo menos um apoio moral.

Mesmo com a gente e o casal de franceses insistindo para que as senhoras entrassem no carro, elas não se convenceram. Continuavam andando de um lado para o outro. Eu só ficava imaginando como me sentiria culpada se algum animal aparecesse por ali. Nesse momento chegou mais um casal, também de caminhonete. Pedi para que eles verificassem se havia sinal no celular para ligar para a recepção do parque, mas eles tinham a corda para reboque e resolveram encarar o desafio. Nessa hora a gente resolveu ir embora. Não sei é pecado largar alguém nessa situação, mas eu realmente estava com medo de que algo acontecesse e não quis ficar ali pra ver. Para nosso alívio, alguns minutos depois o carro das senhorinhas ultrapassou novamente o nosso. Final Feliz!!!

Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, será?

Mas se você pensa que a aventura acabou ainda teve mais. Inacreditavelmente, no mesmo dia, quando estávamos iniciando um Safari noturno, nos deparamos com uma situação parecida. A gente tinha acabado de ver leões, novamente, quando o motorista do carro ao lado nos informou que ficou sem bateria. Sério isso? Mais um carro com problemas perto dos leões? Dessa vez, pelo menos não tivemos que descer do caminhão. O guia do parque foi quem fez isso. Primeiro ele tomou o cuidado de estacionar o caminhão entre os leões e o carro sem bateria. Pelo menos assim a movimentação não chamaria tanta atenção dos felinos. Depois, um outro carro estacionou em local que fosse possível fazer toda a operação para recarregar a bateria.

A gente ficava com um olho no peixe (carro) e outro no gato (leões). Eles estavam a apenas alguns metros de distância. Pra piorar a situação, o senhor que estava dirigindo o carro colocou os cabos de maneira errada. Quase derreteu tudo e queimou a mão. Foi trapalhada em cima de trapalhada.

Eu nunca imaginei que uma coisa dessas fosse acontecer no Kruger, agora duas vezes no mesmo dia? Parecia brincadeira. Por sorte ninguém saiu ferido dessa situação e o coração passou no teste de adrenalina. Com toda certeza foi o safari mais emocionante que a gente fez.

 

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