E aí, como é a África??

Quando contamos para os nossos amigos e familiares que estávamos com passagens compradas para a Namíbia logo surgia a dúvida: onde fica isso? Depois de saber que era na África a maioria nos perguntava se íamos fazer safári. Na volta a pergunta continuou, mas além dela surgiu um novo questionamento: e aí, como é a África? A África é tão pobre quanto a gente vê no noticiário da TV?

Confesso que depois de passar 9 dias viajando pela Namíbia não consigo responder essa pergunta. Passamos muito pouco tempo por lá para tentar entender as coisas e além disso pisamos num pedaço mínimo de terra em comparação a imensidão da África. Apesar disso, vimos algumas coisas que nos fizeram ao menos refletir um pouco sobre o assunto.

Nosso primeiro contato com a pobreza, se é que posso chamar assim, aconteceu em Windhoek a capital da Namíbia. Paramos para comprar um chip para o celular e enquanto eu e a Marion fomos até a loja o Diego ficou no carro. Nisso já surgiu um homem se oferecendo para cuidar do carro. Quando o Diego falou que não ia sair do carro o homem pediu logo comida e água. Não tínhamos nada no carro e não pudemos ajudar.

Depois disso só fomos ter uma nova experiência em Swakopmund, depois que voltamos das dunas de Sossusvlei. A nossa host do airbnb havia nos dito que era necessário separar um dinheiro para os guardadores de carro pois aquele era o trabalho deles. A partir daí começamos a prestar um pouco mais de atenção nos trabalhadores da cidade. Nos restaurantes, mesmo que o movimento fosse fraco e houvessem poucas mesas para serem atendidas a quantidade de funcionários era enorme, as vezes superando a de clientes. Nos postos de gasolina quando parávamos abastecer, não era um frentista que chegava para nos atender, mas sim três, ou as vezes quatro ou cinco. Em todos os lugares que estacionamos os carros haviam guardadores, com seus coletes refletores e com um espaço determinado. Fora isso, nos pontos turísticos, chovia vendedores ambulantes querendo vender alguma lembrancinha.

Num desses pontos, o navio Zeila, conversamos com as pessoas para tentar entender o que acontecia. Eram 5 pessoas, vendendo pedras semipreciosas e brutas para os poucos carros de turistas que paravam ali para tirar fotos do navio encalhado. Quando paramos, até ficamos com receio de descer, pois eram cinco contra três, no meio do nada e sem nenhum outro carro por perto. Logo que saímos do carro vieram três deles nos abordar dizendo que podíamos ficar à vontade para conhecer o lugar e que antes de irmos embora queriam nos mostrar os seus produtos. As pedras não eram bonitas e nem interessantes para nós, mas começamos a conversar com eles e no fim acabamos comprando, para ajudar mesmo.

Eles eram da cidade de Uis (que segundo o Wikipedia tem 3.600 habitantes) a quase 200 km de onde estávamos. Não sei como chegaram ali, pois nos dias que ficamos por lá não vimos nenhum ônibus de transporte público. A cidade fica no meio do deserto e simplesmente não tem emprego para todo mundo. Cada um deles, George, Marta e Tabacap eram de uma casa diferente e estavam ali tentando levar um pouco de dinheiro embora para sustentar as famílias. Além deles haviam outros dois, de famílias diferentes, que formavam um outro grupo para que os cinco não chegassem de uma vez só nos turistas. Não sei se a história era real, mas nós acreditamos e achamos superorganizada essa forma de se dividir em grupos. Acabamos cedendo e pagando 40 dólares por três pedrinhas. Pode ser que a gente tenha caído num belo golpe, mas sinceramente acredito que não.

O que pudemos perceber ali é que o trabalho é extremamente escasso e que as pessoas se viram como podem pra conseguir, pelo menos, o que comer. Não sei se o fato de ter tanta gente trabalhando em um mesmo local, mesmo sem aparentemente ter o que fazer, é algum incentivo do governo ou algo que parte dos empresários, mas nos pareceu que é uma forma de empregar mais pessoas, mesmo com salário menor.

Hoje, depois de ter visto um pedacinho pequeno da África consigo imaginar porque tanta gente passa fome, a grande maioria dos lugares é puro deserto. Tenho certeza que a gente não passou nem perto de quem mais precisa de ajuda mas senti que a necessidade é real. Sei que não precisa ir tão longe pra ajudar as pessoas e que há muitas pessoas aqui no Brasil que também vivem na pobreza, mas o que nos chamou a atenção na África é que os recursos são realmente escassos. Nem de subsistência eles tem como se manter. Essa opinião é pessoal e pode estar totalmente equivocada. A África é instigante e uma visita rápida apenas acendeu mais a vontade de conhecer melhor o continente. Uma coisa é certa, nós voltaremos.

Amigos namibianos por alguns minutos em frente ao Zeila
Nossos amigos namibianos por alguns minutos: Marta, Tabacap e George
Não vimos muito transporte público por lá. As pessoas andam para chegar onde querem.
Não vimos muito transporte público por lá. As pessoas andam para chegar onde querem.
No meio de uma estrada, longe de tudo, encontramos essas garotas carregando gravetos.
No meio de uma estrada, longe de tudo, encontramos essas garotas carregando gravetos.
Assentamento perto de Okahandja
Assentamento perto de Okahandja
Feirinha em Okahandja
Feirinha em Okahandja

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