Atacama | O que vocês vão fazer no deserto?

O que vocês vão fazer no deserto? Essa era a pergunta frequente que escutávamos quando contávamos pra quem quer que fosse que estávamos indo para o deserto do Atacama. A nossa resposta antes da viagem era: não temos muita certeza, contamos na volta. Agora posso definir a resposta: vamos andar pra caramba, descobrir que San Pedro de Atacama é um oásis no deserto com tecnologia avançada e restaurantes gourmet, conhecer pessoas legais e principalmente ver como a natureza é espetacular e te presenteia com paisagens de outro mundo de tão bonitas. Precisa mais?

Para chegar até San Pedro de Atacama foi preciso passar pelo aeroporto de Calama. Partimos de Santiago em um voo que durou 2 horas. Depois disso ainda foi preciso enfrentar cerca de 1h30 de carro até a cidade. Fizemos o traslado com a Trans Licancabur e custou CLP 20.000 ida e volta (agendamos pelo site). Essa empresa fica logo na saída do desembarque junto com outras duas: Transvip e Transfer Pampa. A Transvip tem tarifas mais altas, desde CLP 36.000 ida e volta, da outra não achei site nem sei valores.

Quando chegamos a San Pedro de Atacama uma placa mostra o número de hbaitantes conforme o Censo de 2002: 1982 habitantes. Não acredite. A cidade tem muito mais que isso, mas ninguém sabe ao certo. Uns dizem 7.000 outros 15.000 mas a verdade é que por onde se olhe há turistas. De todos os tipos, idades, nacionalidades. San Pedro vive de mostrar o deserto aos viajantes curiosos. E são bons no que fazem.

Chegamos perto das 13h, deixamos nossas malas no hostal Miscanty, almoçamos e partimos para a difícil tarefa de achar uma agência que nos levasse aos passeios. Tarefa difícil. Não pela falta de opção. Justamente pelo contrário. A cada 2 passos na rua Caracoles você se depara com uma portinha oferecendo tours, sem contar as agências nas ruas secundárias. Acabamos fechando aos 45 minutos do segundo tempo os passeios com a empresa Lickan Antay e já saímos para nossa primeira exploração do deserto.

Sal brotando da rocha
Cristais de sal de aproximadamente mil anos
Escalando as cavernas de sal
No topo das cavernas de sal

Começamos pelas cavernas de sal. Nosso guia Enrique nos guiou por cavernas de puro cristal salino. As cavernas são escuras e apertadas. É bom levar lanterna e se puder ter as mãos livres para poder se escorar. Eu fiz tudo errado. Estava com um cachecol no pescoço que pisei o tempo todo, com minha máquina de fotografia em uma mão e com o celular iluminando em outra. Resultado: quase caí várias vezes e bati a cabeça mais tantas outras. Lá dentro é possível ver o sal “brotando” da rocha, fenômeno que segundo nosso guia demora até 1.000 anos para acontecer. Há um paredão com rochas de sal que pode ser escalado para tirar fotos.

Duna de areais intocadas
Grande duna no Valle de la Luna
Vista de cima das dunas
A subida é dura mas a vista compensa
A lua no Valle de La Luna
Lua surgindo por trás das rochas

O segundo ponto da nossa parada foi o Valle de La Luna. O lugar tem este nome pois tem paisagens semelhantes as lunares. As principais atrações são a grande duna, as três marias (que não vimos) e o anfiteatro. A subida da grande duna é dura e fiquei sem ar algumas vezes. Não pela altitude (2.500 m acima do nível do mar) mas pela falta de preparo físico mesmo. Nosso guia disparou e foi difícil acompanhar seu ritmo. Talvez por esse motivo não escutamos ele falar das três marias e do anfiteatro (ou talvez não tenha falado mesmo). Mas a vista de cima compensa o esforço. É lindo!

Visão do alto do cânion
Alto do cânion no Valle de La Muerte
Paisagem avermelhada no por do sol
Os vários tons de vermelho ao entardecer

Para apreciar o pôr do sol fomos até o Valle de La Muerte. A história do nome desse vale tem muitas versões. Uma delas é que com a chegada dos espanhóis os nativos do deserto, chamados Lickan Antays (gente da terra) travaram uma batalha com os “intrusos” pois estes queriam transformá-los em cristãos. Os Lickan Antays resistiram por muito tempo, porém na última batalha foram vencidos pelos espanhóis e 25 líderes sacrificados e jogados no vale sem identificação e sem nenhum tipo de sepultamento. Outra versão diz que o ditador Pinochet, que governou o Chile de 1973 a 1990, matava todos aqueles que eram contrários ao seu governo e jogava os corpos no deserto. A mais provável na minha opinião nos foi contada pelo Javier que nos levou para cavalgar. O jesuíta belga Gustave Le Paige que viveu no Atacama em meados da década de 50 chamou um arqueólogo para explorar a região e este arqueólogo chamou o local de vale de Marte por ter características parecidas com o planeta vermelho. O arqueólogo não falava bem o espanhol e ao invés de marte entederam muerte. Olhando a superfície deste vale e pensando que seu vizinho é o vale da lua esta história me parece mais razoável. Mas a verdade é que o nome não importa. O lugar é lindíssimo e com o entardecer fica ainda melhor.

Além do pôr do sol outra atração é a pedra do Coiote. Uma rocha “suspensa” no vale e super disputada para fotos. Há vários engraçadinhos que não se importam em deixar os espectadores com o coração na mão enquanto fazem “poses” arriscadas na pedra. Nós não arriscamos estragar nosso passeio e o dos outros e tiramos fotos bem comportadinhos lá em cima.

Pedra em balanço no Valle da Morte
Famosa pedra do Coyote

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