Atacama | Com emoção ou sem emoção? Cordilheira de Sal e Tour arqueológico

Quando compramos nosso tour pelas belas paisagens do deserto do Atacama a agência não nos perguntou se queríamos com ou sem emoção. Tenho certeza que mesmo sem perguntar eles marcar o x no com emoção. Nosso terceiro dia no Atacama começou com uma notícia um pouco “estranha”. Nevou no deserto. Foi o que nosso guia Hector nos disse explicando que por esse motivo talvez não pudessemos ir até o Salar de Tara, programado praquele dia. Infelizmente ele estava certo. Por causa da neve as estradas que levam até o Salar estavam fechadas e os carabineiros do Chile não deixavam nenhum carro passar. Fiquei bem frustrada pois estava na expectativa por esse passeio que dizem ser muito bonito.

Ok! Fazer o quê? Não dá, não dá. Ficará pra outra viagem. Para não nos deixar perdidos em San Pedro de Atacama nosso guia nos ofereceu um tour pelas cordilheiras de sal e depois um passeio arqueológico. Como não tinhámos muita opção aceitamos e fomos primeiro tomar café na casa dele. Éramos 5 brasileiros, 2 espanhóis, 5 chilenos, o guia Hector e sua esposa Carolina que se juntou a nós após o café da manhã. Quando brincamos quanto ao plano B do nosso preparado guia e perguntamos o que mais poderia acontecer a espanhola disse: não sabemos como o dia vai terminar (não sabíamos mesmo, mais a frente você vai entender).

Partimos para a cordilheira de sal. Essa cordilheira fica bem próxima aos Vales da Lua e da Morte, mas é um passeio pouquíssimo explorado pelas agências da cidade. Sorte nossa. Estávamos sozinhos com toda aquela beleza só para nós. A primeira parada foi bem no início da cordilheira onde há formações rochosas em forma de totem. As pedras de sal em camadas são muito impressionantes e bonitas. Seguimos um pouco mais e chegamos a uma mina de sal abandonada. Os cristais de sal surgindo do chão para qualquer lugar que se olhe são um espetáculo a parte. É possível “escalar” as montanhas e apreciar a paisagem. Ao ficar em silêncio ouvimos os estralos das rochas no paredão de sal.

Rochas salinas
Paredão de rochas salinas
Ônibus abandonado na cordilheira de sal
Ônibus abandonado na antiga mina de sal
Extratos de Sal
Extratos de Sal

Deixando a cordilheira para trás passamos em San Pedro de Atacama comprar folhas de coca para um ritual que faríamos chegando ao sítio arqueológico. Pegamos novamente a estrada e depois de uns 30 minutos chegamos a Pukara que íamos visitar. Pukara é uma espécie de fortaleza onde os povos pré-colombianos moravam, geralmente construída no topo de montanhas. Montamos “acampamento” para almoçar e nesse momento percebemos que algo não ía muito bem. Nosso guia estava um pouco nervoso e abriu o capô do carro. Más notícias! A rebimboca da parafuseta (ou algo do tipo “peça do motor da van”) não estava funcionando como deveria. Até aí tudo certo, mas quando ele subiu e desceu 2 duas e não obteve sinal de celular a coisa começou a ficar preocupante. Nós, os turistas, fomos com a Carolina conhecer o sítio arqueológico enquanto ele se mandou em direção a carretera (estrada) para buscar ajuda.

Paisagem bonita na entrada da Pukara
Paisagem bonita na entrada da Pukara
Guia caminhando nas dunas pra chamar ajuda
Tá vendo o pontinho preto circulado? É nosso guia indo buscar ajuda.

Nosso passeio foi divertido e bastante interessante. Tivemos que subir e descer paredões de pedra até chegar a Pukara e a Carolina nos mostrou a pedra onde eram feitos sacrifícios e os locais onde os Lickan Antay habitavam e enterravam seus mortos. Tudo muito lindo, mas o fato de estarmos no meio do deserto sem um carro que funcionasse adequadamente não nos abandonou. Todo mundo comentava em tom de piada, mas no fundo havia um medinho de ter que dormir por ali.

Estamos ferrados e presos no meio do nada
As expectativas não eram boas: carro quebrado e tempestade de areia surgindo
Tempestade de areia
Nós sem ter pra onde correr e uma tempestade de areia se aproximando. É muita sorte!!
Pukara do sítio arqueológico.
Pukara do sítio arqueológico.
osso humano encontrado na Pukara
Pedaço de osso humano encontrado na Pukara. A gente não queria acabar assim

Voltamos ao local onde a van estava estacionada e quando havíamos decidido começar a caminhar de volta pra San Pedro eis que surge a salvação. Hector conseguiu chegar até em casa e estava voltando com outro carro para nos resgatar. As moças da expedição tiveram preferência (ainda bem, pois eu precisava urgentemente de um banheiro). O Diego, um chileno e o casal de espanhóis ficaram com o guia e com a van estragada. Resumo da história: o guia arrancou a tal peça que não estava funcionando direito e eles conseguiram chegar “no embalo” até a casa dele onde a Carolina os resgatou e levou até San Pedro de Atacama. Assista a “novelinha” abaixo: O deserto, que atravessei. Ninguém me viu passar… E se divirta com nossa saga no meio do Atacama.

CONCLUSÃO: Há males que vêm para o bem. Já imaginou se essa van quebra no meio do Salar de Tara que é longe pra caramba? Aí não ia ter pernas suficientes pra nos tirar da enrascada e com certeza teríamos que dormir no meio do nada.

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